terça-feira, 30 de abril de 2013

Nenhum

 
Resfriado, vá embora, que ninguém te merece na véspera do Feriado!

sábado, 27 de abril de 2013

Maria



Como eu gostaria que essa Lua linda, enorme e laranja de hoje me levasse até você, pra eu poder deitar no seu colo, enquanto você afaga meus cabelos e diz que eu sou sua querida, sua Taninha, e que me ama.
De todas as pessoas do Mundo, você é a única que sabe passar a mão pelos meus cachos sem bagunçá-los. A única que sabe beijar minha fronte do jeito que eu gosto, aquele jeito que me faz sentir pequenina de novo. Só você que sabe me tratar com a delicada leveza de uma mãe cuidando da criança que existe em mim. Só você!
Queria tanto poder entender por que, toda vez que você não está bem, aqui do outro lado eu acordo como se meu dia já estivesse ao cabo do acaso estremecido.
Qual seria o tamanho da ligação que temos, pra sentir seu sofrimento, mesmo que ninguém me diga nada?!
Logo você, que perdeu a mãe na inocência dos 5 anos, me deu o supremo privilégio de ter DUAS mães, e me mostrou que tudo o que existe no mundo é tão pouco perto do amor que podemos dar. Até hoje eu não sei quem amo mais... Mas é agora que entendo o porquê de visitar os meus pais nos fins de semana e querer voltar para os seus braços, dizendo que a minha mãe era você.
No oceano dos seus misteriosos olhos azuis eu descobri a beleza do profundo silêncio. No seu silêncio aprendi a força do pensamento. Seu pensamento me ajudou a superar meus medos. E no seu medo espelhei a minha coragem.
Não existe para mim lembrança mais terna do que os dias de meus 8 meses aos 3 anos, quando você me pegava no colo e me embalava pra eu parar de chorar, e me segurava bem apertada, pra eu sentir que tudo ficaria bem. Quando eu tinha pesadelos horríveis, e ia dormir no meio do Nono e da Nona. E acordava feliz porque tinha os meus amores ali, um de cada lado. A perfeita sintonia entre o falante e o silencioso. A paciência de aguentar todas as minhas malcriações, e o meu decidido bater de pezinhos, cabelinho ao vento, dizendo que ia embora porque ninguém me amava, quando era contrariada. O seu carinho ao preparar minha polenta sapecada com salame frito todas as manhãs, e a preocupação me mandando voltar pra cama quando eu lhe ia atrás, pela casa, às 5h da matina, dias frios, de pé no chão, só porque queria ficar perto da Nona, e porque eu já me considerava ‘grande’ e podia acordar cedo. A gemada preparada nos dias de frio, e eu reclamando que a Vovó Celestina fazia uma gemada mais gostosa...
Ah, se aqueles pés de Camélias falassem, aqueles pés que estão quase morrendo, como tudo à sua volta... Essas Camélias diriam que ninguém se completava melhor do que nós. E ainda se completa. Por isso as Camélias sobrevivem ao passar dos anos. Tudo mudou, tudo morreu, mas aquela Camélia do velho jardim permanece viva, resiste.
Em todos os meus 27 anos, eu não vi pessoa alguma capaz de igualá-la em abnegação e aceitação. E nunca via alguém que, mesmo sob velada submissão, sabia comandar tudo em seu silêncio observador. Também não houve quem fosse tão altruísta e bondosa com os outros.
Defeitos, se os têm, não consigo enxergar, pois é a única pessoa capaz de me fazer amar tanto, e sentir tantas coisas boas, que se equipara a um anjo de imensa e poderosa luz, cujos possíveis erros mundanos, dos mais leves aos mais reprováveis, não seriam suficientes para afugentar de si a perfeição.
A mulher mais linda que já vi, sem quaisquer sombras de dúvidas. Os olhos mais profundos e sinceros. Olhos de Oceano. A mais bela de todas as irmãs. A mais desejada e admirada, que sempre arrancou suspiros, da juventude à velhice.
E, mesmo assim, tão longe, mesmo doente, mesmo tão frágil e dependente, ainda me transmite sua aura de força e coragem, a ponto d’eu conseguir transformar a tristeza dos meus olhos em risos e esperança.
Quando você apertava forte a minha mão para atravessar a rua, há muitos anos atrás, ou quando gritava por mim nos arredores do sítio, pois tinha medo que eu fosse longe, eu não compreendia que sua insegurança era medo de perder. Pois só quem perde tão jovem uma pessoa que tanto ama, uma MÃE, sabe o significado da palavra persistência. Só quem passa tudo o que você passou entende o valor da vida e da existência.
Você, mulher da Terra, mulher de lutas, me ensinou que a guerra que travamos todos os dias é uma guerra interna, uma batalha de amor. Hoje eu compreendo o quanto o amor lhe é importante, o quanto o amor dos outros lhe fez falta. Hoje sei que seu medo de dormir sozinha e sua insistência pra eu não apagar a luz quando nos visitava era decorrente do medo de ver a solidão cara a cara. A solidão que sempre foi sua.
Só hoje eu compreendo que, muito mais do que eu, você precisava de AMOR. De apego. Que você sempre foi a menininha, aquela criança pequena, sem a mãe, esperando no portão pela volta de quem amava, mas que nunca regressou. Hoje eu sei que o fato de você segurar forte a minha mão, e gritar por mim pelo sítio era uma maneira de dizer: “fique comigo, não vá embora. Eu preciso de você aqui, perto de mim, pra saber que sou amada. Preciso sentir que sua inocência é um reflexo do meu interior”.
Nona Maria, com todas as forças do meu ser eu lhe digo que sou extremamente grata por você ser a pessoa que me ensinou o verdadeiro sentido da palavra AMOR. Que me mostrou, aliás, que AMOR é muito mais do que uma simples palavra. E acredito que não é à toa que tenho recordações desde os meus poucos meses de idade. Pois foi a Senhora que fixou essas recordações em minha mente e em meu coração. Aquela casa velha, com sua presença, nunca sairá de minha lembrança. E tampouco a casa provisória, feita no Paiol, de chão batido, que a Nona mantinha limpa como a mais limpa das residências. E na casa ‘nova’, onde dormimos juntas pela última vez em seu quarto, antes que você fosse internada em Chapecó, sempre existirá a imagem da Senhora fritando as batatinhas e escondendo uma mega porção só minha, pra eu comer quando voltasse da pescaria!
Sonho com o dia em que, pequena, correrei novamente para os seus braços, com meu pijaminha de camiseta e shorts verde com bolinhas brancas, dizendo que fiz xixi na cama e tive um pesadelo de que você tinha ido embora e me abandonado, e você, balançando o taro de leite recém tirado, me pegará em seu colo e dirá: “Querida da Nona, eu só fui tirar o leite. Nunca vou te abandonar. A Nona vai te amar pra sempre”. Tinha eu, então, apenas 3 anos.
“Te amarei de Janeiro a Janeiro, até o Mundo acabar!”

Músicas do dia: Ney Matogrosso – Canção Poema
Roberta Campos – De Janeiro a Janeiro
Cyndi Lauper – Time after time

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Tédio com um T maior do que qualquer T. Fazer um narguille, então...

domingo, 21 de abril de 2013

Dia na casa da mãe. Melhor coisa do mundo, bebendo uma cervejinha com a Vanessinha e a baixinha Terezinha, loucas de faceiras! Véio Ari festando em Santa Catarina, e Ysabele voando as tranças!
E esse poemeto aí veio durante um sonho, há dois dias atrás, com meus pais e irmã. Isso lembra a fase ruim que passei, quando todos estiveram ao meu lado, preocupados, e dedicados:

"Sois os sóis que iluminam meu penar.
De dia, e à noite, sempre a brilhar."

Essa vai para o Véio Ari, a Terezinha, a Vanessinha, e a Ysa! Amo essa família doida! "Louco é quem me diz que não é feliz!"


Música do dia: Legião Urbana - Monte Castelo.
Noite maravilhosa! E hoje é só fumaça, porque de líquido já estou cheia! Essa aí é de sábado, dia 14/04, que foi noite de música, violão, poesia e distração!

Couraça esvoaçante,
Aparador de ocasião.
Farfalhares de veludo,
Fumaça, espuma, cão.
Verso, poesia e prosa.
Voz e violão.
Erro de percurso: percussão.

Versão: couraça esvoaçante = jaqueta que foi 'roubada'; aparador de ocasião =  o pires que queria ser cinzeiro; farfalhares de veludo = as vozes das três; espuma = da cerveja; cão = Lilica e Tina dormindo com os acordes; o resto dispensa explicação.




P.S. - esse escrito pode não ser grande coisa mas, se copiar para algum lugar, não esqueça dos direitos autorais. E tenha em mente que reprodução sem autorização ou indicação de autoria constitui crime à propriedade intelectual!

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Depois de uma aula de piano, nada como fumaça, líquido e poesia! Dia de ficar em casa.
Essa aí é uma das mais recentes. Saiu na madrugada de 28/03. Escrita em poucos minutos. Ainda está crua, e precisa de aperfeiçoamento, está rimada em demasia, mas já ganhou uma melodia da Lilica Romanholi, nossa segunda parceria. Ei-la:

Insone. É como você me deixa
Quando chega ou some.
Viajo em mim, e me encontro logo ali:
Nos seus olhos eu descobri
Que a única imagem que você concebe
Reflete diretamente no inteiro de si.
Seu sorriso confunde minhas intenções
E alimenta os pensamentos em tímidas ações.
Mas, como quando eu lhe vejo, tudo treme
Tergiverso, faço graça
E disfarço as entrelinhas com omissões.
Seu sorriso entrega aquilo que você teme.
Seu sorriso se perde em divagações.
Você me vê, você ri.
Mas jura que não sabe porquê.
Inventa uma desculpa,
Qualquer argumento demodê
E eu finjo não perceber.
Mas quando sua boca entreaberta
Pega no flagra minha culpa
Os olhos encontram os lábios
E os murmúrios silenciosos encontram o pensamento.
As intenções se demonstram vivas
E prolongam infindavelmente, entre nós,
A sintonia do desejo oculto,
APAIXONADAMENTE VIOLENTO!


Música do dia: "Cha Cha Cohen - August". Because "the look of love is a twenty-twenty vision converter".

P.S. - esse escrito pode não ser grande coisa mas, se copiar para algum lugar, não esqueça dos direitos autorais. E tenha em mente que reprodução sem autorização ou indicação de autoria constitui crime à propriedade intelectual!