OS
GAYS PRECISAM DE CURA, SIM! Precisam ser curados dessa parcela ignorante
da sociedade, que acha que homossexualidade é questão de sacanagem, e
não de sentimento; que pensa que relacionamentos de verdade são aqueles
estabelecidos por antiquíssimas convenções sociais, e que amar alguém do
mesmo sexo é algo decorrente de distúrbios psíquicos. Os homossexuais
necessitam de um bom remédio pra se curar
dessa gentinha (inclusive políticos) que se intromete na esfera íntima
dos indivíduos. Observem que grande parte dos distúrbios psíquicos em
homossexuais decorrem, em verdade, do preconceito alheio e da falta de
compreensão e respeito aos seus sentimentos, que não deixam de ser
nobres pelo simples fato de diferirem do gosto dos demais. Quem precisa
de profundo tratamento psicológico é a pessoa que não aceita que
homossexualidade NÃO é doença!
Vale lembrar que, apesar de dizerem que o PDL 234/2011 é chamado
erroneamente de cura gay, ele é, sim, uma proposição de cura gay
deslavadamente "mascarada". Isto porque a Resolução 01/99, do CFP, não
restringe de maneira alguma a atuação do profissional
de psicologia no que pertine a tal tema. Ao contrário, ela apenas
estabelece que os profissionais dessa área não favoreçam a patologização
de práticas homoafetivas; que não se pronunciem publicamente de maneira
a reforçar preconceitos sociais; e não adotem ações coercitivas
TENDENTES A ORIENTAR homossexuais para tratamentos NÃO SOLICITADOS. A
Resolução 01/99, que o PDL 234/2011 (apelidado de "cura gay") pretende
alterar com as referidas sustações, nada traz de impedimento ao livre
exercício da profissão, e tampouco impede o atendimento adequado
daqueles que procuram a terapia por insatisfação com a opção sexual.
A dilaceração da dor bem sentida. O drama da existência sofrida. O exagero e a mentira do profeta. A realidade fingida da vida do poeta. Se o surreal tiver início, é aqui que ele começa...
quinta-feira, 27 de junho de 2013
sexta-feira, 7 de junho de 2013
Metamúsica
Dá o play nessa música, e leia o conto abaixo. Mergulhe na estória...
Noite de inverno. Fogueira
acesa no salão do Trono. Todos os convidados em êxtase esperando pela dançarina
de Avalon. Depois de viajar por 1 dia inteiro através do lago das brumas,
finalmente chegou à muralha. Foi levada pelo Conselheiro à presença do Rei e da
Rainha. O ambiente, até então em euforia, silenciou com sua chegada. Até a
música parou. Estava habituada a tal reação. Em todo lugar que passava, o
silêncio contemplativo se estabelecia. A única coisa que se ouvia era o
tilintar dos metais que ornavam corpo e vestes do Conselheiro, e o farfalhar do
simples e longo vestido que ela usava. Tinha 34 anos, e uma beleza
transcendental. O Conselheiro a deixou a centímetros de distância do tablado do
trono, reverenciou ao casal real, e retirou-se para junto dos convidados.
Ali
estavam, Rei e Rainha, à sua espera. Sentia-se tão próxima deles, que com cinco
passos, incluindo a subida de dois degraus, poderia tocá-los. Ao mesmo tempo,
encontrava-se tão distante em pensamentos que, por pouco, não se esqueceu de
reverenciá-los. Agarrou suavemente as bordas do vestido, e delicadamente
inclinou a cabeça ao nobre par. Na reverência, seus olhos se cruzaram por
breves instantes com os da Rainha: olhos verdes como as folhas de oliveira, cabelos
encaracolados, de brilhante cobre, que caíam nos ombros, e o semblante que
revelava a típica força impetuosa de uma pureza profanada. Tinha traços
joviais, mas seu rosto também demonstrava a experiência de uma mulher de quase
40 anos. Sentiu nela uma aura de sublimação que continha anseios e paixões
reprimidas que nunca antes experimentara observar em alguém. Voltou o olhar
para o Rei, altivo, traços suaves e cabelos loiros, lisos como pétalas de um
botão de rosa, porém mais longos que os da Rainha, e olhos castanho-escuros que
transmitiam a frieza das pedras de Inis Mór. Estremeceu ao se dar conta que,
embora ele não deixasse transparecer muita coisa no olhar, exalava a virilidade
do desejo, acompanhada do sutil ar arrogante de quem está acostumado a obter o
que quer, a qualquer preço.
Após
a fração de segundos que durou a reverência acompanhada de reflexão
observativa, o Rei fez um sinal com a mão para os músicos, seguido de um gesto
de concessão para que ela iniciasse sua dança.
As
flautas começaram, acompanhadas pelos bodhrans, depois pela cítara, tambores, e
o som da concertina.
Ela
moveu-se para o centro do salão, e dançou. A princípio, lenta, com delicados
gestos de mãos e passar de pés. Conforme a música evoluía, ela dançava de
maneira mais frenética. Seus cabelos negros, caídos até a cintura, e
extremamente lisos, faziam conjunto com a pele levemente morena, coberta por
pouquíssimos pelos, e um rosto que lembrava os remotos ancestrais indígenas,
com belos olhos negros, brilhantes e vivos como o carvão que ardia nas
fogueiras, nariz de finos traços aristocráticos e lábios cor de terra clara que
pareciam uma nuvem de algodão. O vestido de mangas curtas deixava transparecer
as tatuagens dos braços, cuja simbologia indicava que ela era Filha da Deusa.
No braço direito uma meia-lua, no esquerdo um pentagrama, e na parte interna
dos pulsos, de cada lado, um triskel: o do lado direito girava no sentido
horário e, o esquerdo, no sentido anti-horário.
Movia-se
com a graça e leveza de um felino, e entregava-se à dança com a paixão de uma
águia em seu voo. Os presentes, que se espalhavam ao longo e atrás de duas
filas que iam da porta fechada do salão até o fim das colunas laterais, olhavam
boquiabertos, envolvidos pelos gestos e passos. Seu corpo de formas exatas e
curvas, como que esculpido à mão pelo mais sagaz dos artistas, balançava de
maneira extremamente sensual, despertando pensamentos sagrados e profanos
naqueles que a assistiam.
Enquanto
dançava, percebeu que o Rei a observava como um objeto do qual desfrutaria mais
tarde, após as festividades. Olhos cravados nela, e as mãos crispadas nos
braços do trono indicavam que estava levemente desconfortável com a dança, como
se ela o perturbasse. Seu rosto, porém, transmitia um semblante de agrado
indiferente.
Conforme o som lhe entrava na alma e ditava seus passos, freneticamente, vez ou outra voltava
os olhos para o tablado real e, após, analisar rapidamente o Rei, detinha-se na
figura da Rainha, que, com seu vestido de mangas longas, estava com as mãos
caídas sobre o colo, entrelaçadas, observando a dança com profundo interesse.
Aquela graciosidade estável, de quem freava os próprios ímpetos, agora deixava
transparecer uma respiração ofegante, como se também estivesse naquela
dança. Parecia-lhe que, todas as vezes em que os olhares se cruzavam, aquele
par de olivas lhe dizia alguma coisa. Algo que não conseguia compreender, por
mais que tentasse, entre um giro e outro, mergulhar nos mistérios daquele mar
profundo.
No decorrer da dança, ela girava o corpo e os braços, possuída pela chama da Deusa, como que se
deixando levar na floresta, entre as árvores que balançavam com o vento. Entregava-se
de corpo e alma à celebração de seu dom. Em seus passos, a firmeza de um tigre
em caça, e a fúria de um dragão em seu voo de assalto. Em seu interior ardia a
chama do fogo apaixonado. Lentamente, finalizou com graciosos gestos de mãos,
que passavam pelo corpo como se estivesse tomada por algo sublime.
Quando
terminou, aclamada por gritos de êxtase, e palmas prolongadas, dirigiu-se aos
aposentos que lhe foram destinados. Viu pelas portas abertas da sacada, entre
brancas cortinas esvoaçantes, a Lua, em sua fase mais cheia, bem próxima do
balcão, ali, quase se unindo à Terra. Debruçou-se naquelas pedras e ficou a contemplá-la.
Ouviu passos no corredor, e a porta ranger. Nem se virou, pois deveria tratar-se do Rei, que certamente ali chegava para saciar suas vontades
com ela. Porém, com a proximidade, sentiu que não era quem imaginara. Olhou de
relance, e viu a Rainha, que trocara o vestido por uma delicada camisola preta
transparente, de mangas curtas, debruçando-se no parapeito, junto dela. Para seu
espanto, aqueles braços mostravam as mesmas tatuagens que carregava, revelando
que, assim como ela, a Rainha era uma Filha de Avalon. Então, compreendeu...
Naquela
noite, enquanto as chamas da Deusa ardiam no Templo de Avalon, e o silêncio
caía sobre o palácio real, elas celebraram a Lua e reverenciaram a Natureza,
unindo Terra, Água, Ar e Fogo num só elemento. E o Universo inteiro dançou...
quinta-feira, 6 de junho de 2013
Sublimação em overdose
Quem disse que Facebook é só inutilidade? Também é improviso. Saiu uma boa parceria. Priscila dá as palavras, eu faço a poesia, e ela entra com os retoques. Aí vai, a parceria com Priscila Paglia:
SUBLIMAÇÃO EM OVERDOSE
Tanaby
Bordin/Priscila Paglia
Seu amor me sublima, me transborda
Embaralha a visão
Expande a pulsação, confunde a retina.
Essas doses homeopáticas são pura toxina
Qualquer dose, e eu entro em neurose
Game over, overdose.
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