quarta-feira, 18 de novembro de 2009

A fluência dos haikais

Ultimamente, ando numa verve de haikais. A maioria, sem sentido.
Aí vai mais um:


Tudo provém desta água, outrora branca e cristalina:
No verão temos a dengue.
No inverno, a gripe suína.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Floresce a fina flor.
Néctares nela nascem:
Nenúfar.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

A arrogância faz-te pensar que podes ganhar,
Pode te conferir status,
E até culminar no ponto que queres chegar.
Porém, a humildade leva além
Dá mais do que é pedido àquele que a tem.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Fragmento dos Ensaios de Iaiá sobre o Amor




Porque o amor também é isso: o contraponto entre a incerteza do desconhecido, do que não foi tentado, e a convicção de que o sentimento inacabado faz permanecer imortal a chama daquilo que não foi tocado pelo ato humano, paradoxo que leva a uma sublimação mágica da emoção específica, transcendendo os limites da perfeição.


P.S.- se ficar confuso, leia-se "paradoxo" no sentido de "discordância"; "não foi tentado" no sentido de "poderia ter sido"; "tocado" no sentido de "atingido". Se ficar muito confuso, descarte essas bobagens!

domingo, 4 de outubro de 2009

Bem, participei de um concurso com essa poesia aí. Não ganhei porcaria nenhuma, mas agora, ao menos, posso postá-la:


GAROANDO
Iaiá

Na noite a surgir
Você vem ao meu encontro.
Enquanto a lua ilumina
O mistério em meu olhar.
Obscura a me chamar,
Sussurrando.
Uma chuva de imagens
Garoando.

Me ponho do seu lado,
Seu cabelo eu afago.
Então, ouço você suspirar.

Amor, não pense muito em mim
Porque eu não vou voltar,
Eu pertenço a outro mundo.
Não respire o meu nome.
Sou o vento a te saudar
Passeando.
Estou dentro de você
Garoando.

A morte vem pra mim,
Oh, meu bem!
Não posso me prender
Ao fim.

Lembro tudo o que passamos,
Como eu quis te proteger.
E você, mais que depressa,
A mim foi se afeiçoando.
Os seus olhos a brilhar
Me chamando.
Nosso amor silencioso
Garoando.

Olhos fitos no além,
Você, em oração,
Me diz: vem!
Seu lugar é aqui,
Junto com minha alma!


(escrita em 2005)

P.S. - esse escrito pode não ser grande coisa mas, se copiar para algum lugar, não esqueça dos direitos autorais. E tenha em mente que reprodução sem autorização ou indicação de autoria constitui crime à propriedade intelectual!

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Sobre o céu amarelado no fim de tarde

Poderia ser uma aurora boreal.
Mas o que vem aí, não é o sol,
É um temporal!

domingo, 23 de agosto de 2009

O Universo conspira. As estrelas se cruzam, lá no fundo... Explodem em espirais. Tudo expira. Eis aí um novo mundo...

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

A felicidade? Não é preciso buscá-la no Mundo. Ela está bem aí: dentro de você! Quando encontrá-la, descobrirá o grande impulso do Universo: o AMOR.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Me saí com essa:


O excesso de pensamentos leva à escassez de palavras.



Alguém já havia dito isso antes de mim???

sábado, 20 de junho de 2009

HIBERNAÇÃO



Mais um sábado de hibernação. Adoro assistir os mesmos filmes várias vezes. Vc gosta?

A lista de hoje é:

1 - Henry & June;

2 - Johnny & June;

3 - Persona.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Todas as maneiras




E quando todas as maneiras
de dizer “te amo”
já não servem mais?
Como é que a gente faz?

segunda-feira, 8 de junho de 2009

EducAÇÃO!



Hoje, ao estudar com minha pequena irmã de 8 anos, que está com dificuldades de aprendizado, voltei a refletir sobre algo sério que, há muito tempo, foi alvo de acirradas discussões em meus meios escolares: o problema do ensino público.

Pois bem. Ficamos das 20 até as 23 horas fazendo lições atrasadas. Eu tentanto explicar de várias formas o que ela demorava para entender. Erro de quem? Seria tamanha negligência de nossa parte? Pode ser. Porém, uma coisa que notei é que as lições não vêm corrigidas, o caderno não está revisado, e o boletim sempre tem um caráter duvidoso, com aquelas notas conceito "A", "B", "C", e por aí vai...

Com o tempo disponível que tenho, tento acompanhá-la e orientá-la. Contudo, não basta. Quando ela era menorzinha, eu me portava quase como um general espartano. A conduzia com uma disciplina impecável. Ela comia de boca fechada, não falava de boca cheia, não alterava o tom de voz... Porém, foi só ir para a escola, que estragou-se. Primeiro, na escolinha particular - pequenas alterações, mas nada grave. Depois, na pública. Esta última, sim, trouxe um leque de novidades nada agradáveis (pelo menos para nós, familiares). Aprendeu a mentir, comer de boca aberta, falar alto e fazer manha como um bebê.

Abismadíssima fiquei quando, um dia, ao buscá-la, na saída da escola me deparei com molequinhos de uns 8 anos fumando e falando palavrões. Bem, mas esse não é o propósito deste post.

O fato é que, como dizem, a educação, realmente, começa em casa. Mas, aí, eu me pergunto: como fazer para que ela continue com maestria nos bancos escolares?
Por que diabos nossa educação é tão defasada, e por que mais diabos ainda os inúmeros planos educacionais implantados não trazem resultados significativos?
Seria muito difícil, para nós, brasileiros, seguirmos um exemplo, digamos, sul-coreano?
Onde está nossa falha?

Será que o problema é a falta de incentivo aos professores da rede pública, que ganham mal pra caramba, precisam dar muuuitas aulas para ter um salário razoável?
E, não obstante, ainda há o fato de os bancos escolares apresentarem os mesmos métodos de ensino utilizados há anos, algo que não tem dado muito certo ultimamente, tendo em vista que os pequenos alunos, por possuírem uma evolução de raciocínio muito superior à nossa, não têm saco nem disposição para acompanharem papo de dinossauro.
Quando iremos investir a fundo na revitalização da educação brasileira?

Sinceramente, não sei responder a nenhuma dessas perguntas, mas tenho uma vaga idéia-chave do que podemos fazer, entre tantas outras coisas, para começar a alavancar a educação em nosso país: diminuir o salário dos políticos (um tapinha não dói!), e aumentar o dos professores!

domingo, 7 de junho de 2009

Dos Grandes Peitos



Essa é para fazer uma crítica à indústria dos "peitos", que faz com que muitas mulheres coloquem silicone para aumentar seus seios, mas não valoriza aquelas que realmente têm peitos grandes, e necessitam de um sutiã que se adeque aos "airbags".
Quando você, mulher de grandes peitos, sai para comprar sutiã, sofre, ou não sofre? Até as lojas especializadas em lingeries têm sempre as mesmas opções: você experimenta um sutiã com bojo, que, ou deixa a parte de cima para fora, ou escapa na parte de baixo; ou, então, um daqueles especialmente fabricados para velhas senhoras - enorme e antiquado.
O que dizer, então, de um número 44 que mais parece 32???
E daqueles que fazem com que seus peitos fiquem compactados na frente, e saltando nos lados?
Sim! Você, bela Senhorita de peitos pequenos, pense MUITAS vezes antes de implantar um grande volume de silicone, pois mulheres de seios grandes geralmente vivem frustradas com seus sutiãs!
Por essas e outras, aí vai:


Manifesto dos Grandes Peitos

Onde queres o “G”, tens o “M”.
E onde queres o “M”, tens o “P”
Se procuras algo grande e confortável
Saibas que grande busca irás empreender.

Siliconados, com bojo, ou com forro
Em qualquer loja, há sutiãs pra valer
Mas, se o que esperas é um que se amolde aos teus peitos
Peitos pequenos terás de ter!

Cheia de expectativas, entras na loja
Encontras um tamanho Grande
E, contente, vais à prova
Experimentas, tentas de novo e, frustrada, verificas
Que o sutiã que provastes com teus peitos mal se comunica!

Sim! Porque, mesmo nas lojas especializadas,
Quase não há sutiãs que se encaixem
Naquelas que são bem dotadas.

Pobres mulheres, que, para seus problemas peitorais
Não encontram sutiã, nem solução
Como se ter peitos grandes fosse crime
Reprimível, execrável,
E passível de punição!

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Ab imo pectore



Quanto mais rápido ando, mais meus pés saem do chão.
Mais leve e silente isto me torna.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Qui tacit, consentire videtur



(impressões redigidas em 18/19/20 de abril de 2009, na Cidade das Cobras)


_Te desafio a acertar aquele passarinho ali na árvore.

_Não gosto de matar pássaros, o senhor sabe. Mas acerto o tronco daquela árvore, quer apostar?

Ainda recordo daquele dia, em Janeiro, quando, com o estilingue em punho (sim, sou um moleque de saias!), ouvi sua voz ressoar forte atrás de mim. Sentado na varanda, cigarro de palha, ainda contando suas (es) histórias. - Fui lhe convidar para a Formatura, que ocorreria em Fevereiro, à qual ele não pode comparecer, por já estar adoentado. - Grande tristeza dele, e minha. Bem nutrido, ocupava-se, unicamente, em amarrar e desamarrar a vaquinha aqui e acolá, tentando mantê-la longe da estrada. Já começava a demonstrar traços da senilidade advinda da doença, a qual, diga-se de passagem, ninguém sabia de que era acometido!

Hoje, menos de três meses depois, é apenas um espectro de pele e ossos, vagando pela casa. Sem apetite, alimenta-se somente dos cigarros, único prazer que ainda resta. Não lhe contaram que tem câncer. Não sabemos se ele sente que a doença o toma quase por completo.

Quase não conversa mais. Sua voz soa fraca e, por vezes, diz coisas incompreensíveis. Me falou que é triste olhar e não poder conversar. Respondi que, para aqueles que se amam, não é preciso palavras. Basta um olhar para que tudo seja dito. Ele aquiesce com um meneio de cabeça.

Confessou que não aguenta mais tantas visitas. Também eu me aborreço. Essa gente vem para velar antecipadamente um morto que ainda está vivo!

Frágil, se cansa com facilidade, e passa a maior parte do tempo dormindo. Não sai mais de casa. Fica, no máximo, sentado na varanda, olhar perdido, murmurando pequenas blasfêmias e emitindo suspiros de desalento. Me olha sempre como se fosse a última vez. Quando o ponho na cama, rezamos de mãos dadas. Sua pele, já com tom esverdeado, libera os odores característicos da enfermidade que o acomete.

Do homem imponente, com voz de trovão, resta apenas um fiapo. Sua mulher, minha avó materna, desdobra-se em cuidados, para ganhar não agradecimentos, mas censuras ríspidas, próprias do costume. Condescendente, ela apenas o observa com seus belos olhos azuis, na postura que sempre manteve: a de sofrer calada, em sua docilidade de mulher preparada para satisfazer aos outros, e não a si mesma.

Ele me diz que acha que a outra avó, a paterna, não durará muito. Isso, com olhos de quem pensa: "não sei quem vai antes: ela, ou eu!". Suspira... Fica em silêncio e, de repente, solta: "Eu nunca fui mau para os meus filhos." - como se quisesse libertar-se de algum peso que lhe oprime a consciência.

Evoco as recordações de infância, tentando lembrar de como, antigamente, tudo aqui era bonito. O sítio - que, outrora, poderia ter servido de cenário para uma suntuosa e psicodélica Rave - definhou. Com ele, definharam plantas e animais, e os poucos que restaram foram vendidos. As terras, arrendadas, pouco produzem. Do frondoso pomar, nem sombra. Não há mais estábulo, nem potreiro e, tampouco, horta. A vida se extingue neste lugar.

Contraditório ciclo de renovação, além do céu cravado de estrelas, brilha a Lua Minguante, despontando em beleza. Pude acordar com o galo cantando, antes das 5 da manhã, madrugada ainda escura, pois não estou habituada a dormir cedo. Vi o Sol nascendo sobre os montes, brilhando como se fosse capaz de esquentar todos os corações gelados e rancorosos do mundo. Isso tudo embalado ao som de "Animals" (CocoRosie).

Visito, na Segunda-feira, a vovó paterna que, também senil, há muito mais tempo que o nono (avô materno), demonstra extrema carência afetiva. Com frio, ela se deita, e repete infindavelmente: "me esquentar... me esquentar... me esquentar...". Diz que minha mão é quentinha. Está com frio nos pés. Providencio calor. Faço carinho nela enquanto fico ali. Penso nas ironias da vida, pois meu avô paterno, logo que o visitei, depois de 11 anos sem nos vermos, desencarnou. Sinto uma ternura infinita por essa senhorinha de cabelos brancos, que, apesar de decrépita, apresenta uma memória espantosa. Lembro que me criou. Foi ela quem me ensinou a rezar. Outra ironia, ela foi a catequista de meu avô materno, que agora está beirando a morte. Em meio aos pensamentos, meu tio retorna para me buscar. Volto ao sítio.

Aqui, tudo cheira a morte. Porém, espetáculo à parte, as rosas são as únicas que crescem, como se indiferentes aos mortos que as rodeiam. Impávidas, viçosas, erigem-se no que ainda resta de jardim. Silenciosamente, desejo que se espalhem a ponto de tomar conta da casa inteira, porque, talvez, sua prosperidade fosse capaz de espantar daqui a aura de tristeza.

Brancas, amarelas, cor-de-rosa e vermelho vivo, algumas ainda em botão, se sacodem ao vento, como se dissessem bom dia ao Sol, indicando que a roda da Vida é infindável, não importando quantos mortos tenhamos que enterrar pelo caminho...


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(hoje, 24 de abril de 2009)

Ironia do destino, ou não, ele só esperou que eu chegasse em casa. Antes de eu vir embora, ele caiu, fez um cortezinho no braço, e bateu um pouco a testa. Eu disse:

_Caiu de maduro, nono?

Ele responde, num fiapo de voz:

_É, caí de maduro!

Enquanto fizemos curativo nele, que, silencioso, divagava sabe-se lá por onde, ou no quê, não ouvimos sequer uma reclamação de dor!

Antes disso, à tarde, quando juntos fizemos nossa última oração, ao pô-lo na cama, apertou forte, bem forte, minha mão...

Quando me despedi dele, ainda na mesma noite de Segunda-feira, me olhou longa e silenciosamente, enquanto eu falava para ele não esquecer do meu infinito amor, e ligar se precisasse de alguma coisa. Isso me lembra aquela frase (musical): "Palavras e silêncio que jamais se encontrarão."

Ainda, voltei à porta umas duas vezes, como que movida por um impulso sobrenatural, para dar tchauzinho com as mãos. Ele, ainda silencioso, somente me olhava, profundamente. Pelo olhar, via mais que minha superfície. Ele me lia a alma. E dizia algo, de alma à alma.

Tendo chegado mal em casa, dormi boa parte da Terça-feira. À noite, quando liguei para minha nona e, depois, para minha tia, soube q ele mal dormiu, perguntando se eu havia chegado bem, se havia ligado. Para tranquilizá-lo, disseram que sim.

Na Quarta-feira, pela manhã, minha mãe e eu falamos muito sobre eles, sobre nós. No mesmo dia, à tarde, ela ligou no celular, quando eu estava no trabalho. Desconfiei. Ela não pode conter o choro ao dizer que ele havia partido, por volta das 12h.

Pelo que me contaram, partiu sem sofrer. Foi se apagando aos poucos. Só aí eu compreendi o que aquele olhar quisera me dizer. Realmente, ele só me esperou, igual ao vovô paterno.

Não chorei. Precisava de força para confortar aos demais. Vim para casa mais cedo. Conversei com minha mãe. Acalmei-a aos poucos, pois todos sabíamos que, antes de ficar sofrendo, melhor ele ter partido repentinamente. Ela viajou na Quarta-feira à noite. Depois disso, contei à minha pequena irmã que, na inocência dos seus quase oito anos, chorou um pouco, mas também compreendeu ser a morte física apenas uma passagem, e que há algo muito maior. E esse algo perdurará, independente de tudo que passe.

Não obstante, resta o sentimento de que, da próxima vez, aquela voz de trovão não estará lá para me receber com seu cigarro de palha, e suas histórias, e não mais me dirá fisicamente que perseguiria meus algozes até o fim do Mundo, só para me ver sempre feliz; só para ver irradiar o semblante de inocência intacta da sua eterna "roquete".

Porém, como as rosas, a cada morte dos meus, renasço, justamente por saber que o Todo é apenas fragmento de nós mesmos, e que, certo dia, tornaremos a ser o único ser do qual partimos.


P.S. - esse escrito pode não ser grande coisa mas, se copiar para algum lugar, não esqueça dos direitos autorais. E tenha em mente que reprodução sem autorização ou indicação de autoria constitui crime à propriedade intelectual!

terça-feira, 14 de abril de 2009

A PAIXÃO



Às vezes, ela começa de mansinho...
Um olhar, um gesto, e você sequer percebe que ela está a lhe envolver.
Um passar aqui, outro ali, e mais olhares. Percepção.
Silenciosa, ela vai armando sua teia e, depois de algum tempo, você se dá conta de que ela te pegou de jeito.
Você se sente ligado em 220v. Às vezes, perde o sono.
Ela pode ser platônica, relâmpago, duradoura, avassaladora. Geralmente, vem acompanhada de músicas propícias a essas ocasiões, estilo Adriana Calcanhoto e afins.
Possui várias modalidades:
Declarada, e aí você pode se dar bem, sentindo-se capaz de tudo; ou ficar à mercê da dor e sofrimento advindos da não-correspondência. Fossa.
Secreta, daquele tipo que ocasiona borboletas no estômago e tremedeira ao ver a pessoa. Geralmente cumulada com o sofrimento de não poder ou não ter coragem para dizer o que lhe vai no coração.
Pode, também, ser semi-secreta, o que implica em várias pessoas terem conhecimento da mesma, exceto o ser objeto de tal admiração ardorosa. Sujeita às mesmas consequências ocasionadas pela não-correspondência, que ataca também a modalidade anterior.
Dentre outras...
Não importa de que forma ela venha. O fato é que, quando estamos apaixonados, damos um jeitinho de ficarmos perto da pessoa, e até de nos fazermos notar, por meio de subterfúgios que nem sempre resultam em sucesso.
Há incontáveis probabilidades. Pode ocorrer um desencontro, por exemplo. Ou pode ser que a pessoa sequer deite reparo em você. Pior ainda: pode ser que ela te despreze e não tenha interesse na sua aproximação.
Aí você fica desesperado e, o que a princípio parecia um deleite, uma coisa boba - simples platonice, toma dimensões catastróficas, e lhe ocupa os pensamentos de uma forma angustiante. Não há distração suficiente para apaziguar tamanha paixão.
O que fazer, então?
Não adianta tentar matá-la pois, tal qual Jack, o Estripador, a cada tentativa ela adquire mais força.
A única alternativa é deixar fluir. Ver onde deságua esse córrego caudaloso e desenfreado.
Das duas, uma: ou ela morre, ou, então, adormece para dar lugar a algo diferente, que pode ser, inclusive, outra paixão.
Não obstante, seja você solteiro, ou comprometido, jamais deixe de se apaixonar, de dar azo à sua alma poética, pois a paixão nos faz sentirmos vivos, coloridos, enlevados.
Esquecer seu significado equivale a ensimesmar-se num invólucro empoeirado e bolorento, capaz de enferrujar o que há de mais belo no ser humano, inumano e - para ser quase redundante - em todo o Universo: o fulgor das coisas ainda inexploradas.

A morte do flerte é a morte da alma!


P.S. - esse escrito pode não ser grande coisa mas, se copiar para algum lugar, não esqueça dos direitos autorais. E tenha em mente que reprodução sem autorização ou indicação de autoria constitui crime à propriedade intelectual!

quarta-feira, 18 de março de 2009

Lispector

Entrevistador: Você poderia nos dar uma idéia do que era a produção da... adolescente Clarice Lispector?
Clarice: ...caótica... intensa... inteiramente fora da realidade... da vida *

*Entrevista de 1977, concedida ao Jornalista Júlio Lerner.
(quem quiser, tenho todos os trechos)

Uma das escritoras com as quais mais me identifico.
Alguns chamavam suas obras de "feitiçaria".

Segue aí uma poesia de momento, que postei no desafio de uma comunidade sobre Clarice, no Orkut. Ainda nos tempos do meu velho nick. O desafio era escrever algo no estilo Lispector. Saiu isso:

"Queria-te por inteiro
Mas és apenas metade de mim."


Mais uma dela, na mesma entrevista: "eu ia com uma timidez enorme. Mas uma timidez de ousada. Eu sou tímida e ousada ao mesmo tempo".
Eu amo essa mulher, pela grandeza de espírito que possuía, e por tudo que representa no meio literário.

Uma palavra minha para definir sua poesia?

Visceral!

P.S. - esse escrito pode não ser grande coisa mas, se copiar para algum lugar, não esqueça dos direitos autorais. E tenha em mente que reprodução sem autorização ou indicação de autoria constitui crime à propriedade intelectual!

quinta-feira, 5 de março de 2009

Dos Vícios

Pequenos vícios poéticos, como cigarros de cravo e cereja, e muita água...

Pequenas ausências poéticas, como os espasmos de abscência de criatividade - ou simplesmente dormência da mesma - para escrever algo digno de comentários...

Pequenas licenças poéticas, para, às vezes, dizer ou fazer algo que as pessoas "comuns" julgam como esquisitices...

Pequenas esquisitices poéticas, tais quais pensar uma noite inteira na tatuagem que se quer há anos, sopesando se realmente é aquilo que se deseja para sempre (?!); e, ainda, manter ativo um (ou dois) blog que quase ninguém lê.

Pequenas loucuras poéticas, como decidir por executar as duas esquisitices anteriores.

Música do dia: The Killers - Mr. Brightside (nunca enjôo)

P.S. - desculpem os possíveis erros ortográficos. Ainda não me habituei ao recente "assassínio" da Língua Portuguesa.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Marco

Nesta data - 27 de fevereiro de 2009, sob os auspícios da Lua Nova, inicia-se uma nova Era na existência dessa que vos escreve: A Era da Deusa!



Blessed be!

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Pessoa

"O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente. "


Nesses versos de Pessoa, venho a fazer uma reflexão: existe ser humano que não finja tão completamente?
Seríamos nós, seres humanos, todos poetas? E será que, os poetas, seres humanos, seriam todos fingidores?
Então, por consequência (agora, sem trema na linguiça), todo ser humano é fingidor?
Quem me responde?

Neste instante, eu, poetisa e fingidora - no melhor estilo Virginia Woolf, com meu cigarrinho e minha Vodka -, me ponho a refletir a respeito das falsidades da vida.
Por que diabos o ser humano tem de ser tão mesquinho, às vezes? Seria isso parte de nossa natureza evolutiva?
Por que a tendência de excluir os diferentes, taxar de loucos os felizes, puxar o tapete daqueles que se destacam?
Ainda, me pergunto: as pessoas fazem isso por pura maldade, ou o fazem inconscientemente, sem se dar conta de sua personalidade enviesada?
Por que muitos de nós ficam raivosos quando vêem alguém de seu meio se sobressair, ao invés de ficarem felizes e procurarem crescer de uma maneira positiva?

Creio que, mais que um fingidor, o poeta seja um sofredor nato. Isto porque se põe a pensar a respeito de coisas que, simplesmente, raramente são refletidas. O poeta maximiza as paixões, as reflexões, as dores. E isso não quer dizer que, necessariamente, todo ser humano aja dessa maneira. E isso leva a um paradoxo de toda essa reflexão (me refiro à reflexão inicial desse post).

E aí? O ser humano é bom ou mau por natureza? Quem me responde essa?

Será que o poeta também é a maximização de todas as maldades ou bondades humanas?
Cara, que reflexão mais chata!!!

Mas, essa é a frustração: por que sempre tendemos a enxergar algum defeito, por menor que seja, no próximo?
Poderíamos ver somente o lado bom das pessoas e, assim, esquecer todas as intrigas, e conviver em paz. Mas, não é assim. Infelizmente, ou felizmente, não é.
Como diriam, dos mais crentes, aos mais céticos (cépticos), faz parte da natureza evolutiva. Faz parte da natureza...

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Kardek

"...porque, se não tendes fé, que esperais? Não é a fé que dá o amor? porque, se não tendes fé, que reconhecimento tereis e, por conseguinte, que amor?
Divina inspiração de Deus, desperta a fé todos os nobres instintos que conduzem o homem ao bem; é a base da regeneração. É preciso, pois, que essa base seja forte e durável, porque se a menor dúvida vier abalá-la, em que se torna o edifício que construístes sobre ela? Elevai, pois, esse edifício sobre fundações inabaláveis; que a vossa fé seja mais forte do que os sofismas e as zombarias dos incrédulos, porque a fé que não afronta o ridículo dos homens, não é a verdadeira fé."

Allan Kardek in "O Evangelho Segundo o Espiritismo"; cap. XIX, item 11.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Tempo

Mais de um ano se passou.
Amadureci. Me encontrei. Sem deixar de continuar buscando...
Reticências...
A vida é permeada delas.
A vida do poeta, mais ainda.
A eterna busca por algo impalpável, intocável, transcendental...
A procura incansável por algo que nunca fará parte dele mas que, mesmo assim, jamais deixará de existir em seu interior.
O poeta e seus amores. O poeta e seus vícios. O poeta e suas paixões!
Será verdade o que dizem, que os poetas vivem sempre no mundo da lua?
Mas, de que adianta viver num mundo de realidades tão cruéis?! Preferível, então, realmente, viver no imaginário mundo de seu ser, no qual não é preciso ver coisas das quais não se quer tomar conhecimento. Contudo, depois do agradável viajar, seus pés (os do poeta) sempre tocam o chão duro da vida cotidiana, aquele mesmo que te arrasta como um autômato pelas ruas e lugares, muitas vezes não te dando outra escolha que não seja a de suspirares fundo e seguires em frente.
E eu - na indecisão dos meus quase 23 anos - aqui, a pesar e contrabalançar o que vale mais a pena: dar azo às convenções e caminhar pela estrada do politicamente correto, sendo sempre levada pela seriedade dos "diplomaticismos"; ou correr em busca daquele desconhecido, guardado e, talvez, perigoso anseio, de ser sempre Pagu, quebrando tabus e arrancando expressões boquiabertas de surpresa não contida, revelando mente, alma e corpo de uma maneira tão fremente e gritante que não restaria mais espaço para dúvidas tolas!