sexta-feira, 12 de julho de 2013

Gelo



Passa por mim como o vento
Que passa lento pelo ar sem fim.
Esconde o que leva no pensamento.
Como as pétalas que se perdem
Quando o outono se revela
Espalha sua aura de desejo incerto.
Mas por fora carrega a cor do inverno,
E eu ganho o tom de carmesim.
O gelo que nem o sol derrete
No meu oceano se liquefaz.
Lá do fundo dos seus olhos
Posso sentir, bem de perto,
Que meu verde-mar, tão terno,
Faz você mergulhar mais, e mais.

E, ainda assim, passa.
Passa com a indiferença
Que não se espera jamais.
Detém o sorriso a meio caminho
Dentes ocultos, intenção guardada.
Essa longa estrada em viés
Rés a um passo
De me levar à descrença.
Uma trilha no escuro
Que termina em nada.
Passagem bifurcada
Entre esperança e pé no chão.
Mas passo, e sei que não é em vão.

Logo vem a primavera
Quem sabe você perceba
Meu perfume de jasmim
E as flores em meus cabelos.
Talvez, ao chegar o verão
Você queira tê-los entre seus dedos
E de maneira calorosa me receba
Cedendo aos poucos, enfim
Às fraquezas do seu coração.



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