Instável, porém imóvel.
O corpo recostado no sofá
E os pensamentos a vagar
Pelas grandezas do infinito
Flertando com o ‘destino’
Que me atrevo a escolher.
Meu perispírito está, por
assim dizer,
A me orientar.
Uma epifania fugaz
Que instiga meus sentidos.
Essa Natureza etérea, porém
mutável,
A confrontar a banalidade do
mal,
Algo tão normal nos dias em
que vivo.
A elevação do ser
É mais dependente
Da crítica observação
Do que da conveniência silente.
Engrandece mais a alma
A reflexão consciente
Ao invés da complacente
conivência.
Mas as escolhas fáceis
Que teimam em seduzir os
incautos
Andam por aqui, a me tentar.
Resistir, então
Por questão de honra
Ou sapiência
Só depende da vontade
Que, a duras penas,
Aprendo a dominar.
Não basta decidir o caminho
É preciso determinação.
Se nos passos me perder,
E errar outra vez, então,
Invoco minha fé.
Perdoar é necessário.
Deixo passar.
Recomeço.
Respiro profundamente
Mergulho em mim
E continuo, devagar.
Passo a passo, vez por vez,
Em algum lugar me estabeleço.
Assim compreendo, com
espírito elevado
O que sempre esteve diante de
mim.
Olhos bem abertos a admirar
Contemplo, enfim,
O que a vida quer mostrar:
Se olhar bem para lá dos
espinhos
E ousar sentir além das
pedras,
Verei, pouco a pouco,
Surgindo no horizonte
Minhas nobres conquistas
Flores raras a me perfumar.
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