Elegia a uma toupeira
e seu parente torto
Na hora de escolher entre o matrimônio e um folgado “rebento”,
Não quer deixar o amor ir embora, e do parente não aceita
abrir mão.
Opta por carregar cegamente o fardo, e repudia qualquer
argumento.
Arma-se um verdadeiro circo de horrores e de aversão,
Violentas marés domésticas de ódio e de ressentimento.
Todas as reclamações e frustrações exaltadas são em vão.
Quando você finalmente consegue partir
Recebe a alcunha de egoísta e, para seu tormento,
Tudo o que há de mais detestável começa a te perseguir:
Não bastasse mergulhar no poço escuro de si mesma,
Tem que agüentar a proximidade de gente sem noção
E exercitar com fé sua inexistente paciência de lesma.
Mas, em flagrante contradição com a declarada escolha
O que constitui a maior das ironias, face à predileção,
Quando necessita de
um favor ,
Ao invés de pedir ao irmão,
Recorre logo ao amor que lançou ao vento como uma folha
Demonstrando evidente ausência de crédito na capacidade
cognitiva do “varão”.
Aí se vê que o sangue “engolido” cegamente é sobreposto ao
sentimento
Quando não mais se aceita do problema a divisão.
Mesmo cessando o conveniente abrigo da partilha do sustento
A toupeira insiste em proteger o trolha.
E, como quem não se conforma em ouvir NÃO
Insiste em procurar meios para contornar o inevitável
desprendimento.
Não há adivinho que desfie o íntimo daqueles que,
Por causa de uma falsa “missão”
Relegam o amor ao exílio e ao descontentamento
E depois mentem por aí que tudo acabou porque cada um estava
em um momento.
Algo me leva a pensar que têm uma vazia bolha em lugar do
coração,
E o cérebro mais atrasado que o de um jumento.
Os frutos provenientes desse convívio amargo são o castigo
mais violento,
O alto preço que se paga pela doentia união,
O túmulo profundo que as próprias toupeiras cavam
Quando transformam em nó o laço do casamento
E conduzem outros seres da luz para a perdição.
Não há boa nem má vontade que salve essas toupeiras que tateiam
na escuridão!
2 comentários:
"Cada um estava em um momento"? hahaha... é de rir né guria! Pelamor
Uauuuuu....muito legal sua escrita...parabénssss.bjs
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