terça-feira, 22 de janeiro de 2013


Elegia a uma toupeira e seu parente torto

Na hora de escolher entre o matrimônio e um folgado “rebento”,
Não quer deixar o amor ir embora, e do parente não aceita abrir mão.
Opta por carregar cegamente o fardo, e repudia qualquer argumento.
Arma-se um verdadeiro circo de horrores e de aversão,
Violentas marés domésticas de ódio e de ressentimento.
Todas as reclamações e frustrações exaltadas são em vão.

Quando você finalmente consegue partir
Recebe a alcunha de egoísta e, para seu tormento,
Tudo o que há de mais detestável começa a te perseguir:
Não bastasse mergulhar no poço escuro de si mesma,
Tem que agüentar a proximidade de gente sem noção
E exercitar com fé sua inexistente paciência de lesma.

Mas, em flagrante contradição com a declarada escolha
O que constitui a maior das ironias, face à predileção,
 Quando necessita de um favor ,
Ao invés de pedir ao irmão,
Recorre logo ao amor que lançou ao vento como uma folha
Demonstrando evidente ausência de crédito na capacidade cognitiva do “varão”.

Aí se vê que o sangue “engolido” cegamente é sobreposto ao sentimento
Quando não mais se aceita do problema a divisão.
Mesmo cessando o conveniente abrigo da partilha do sustento
A toupeira insiste em proteger o trolha.
E, como quem não se conforma em ouvir NÃO
Insiste em procurar meios para contornar o inevitável desprendimento.

Não há adivinho que desfie o íntimo daqueles que,
Por causa de uma falsa “missão”
Relegam o amor ao exílio e ao descontentamento
E depois mentem por aí que tudo acabou porque cada um estava em um momento.
Algo me leva a pensar que têm uma vazia bolha em lugar do coração,
E o cérebro mais atrasado que o de um jumento.

Os frutos provenientes desse convívio amargo são o castigo mais violento,
O alto preço que se paga pela doentia união,
O túmulo profundo que as próprias toupeiras cavam
Quando transformam em nó o laço do casamento
E conduzem outros seres da luz para a perdição.
Não há boa nem má vontade que salve essas toupeiras que tateiam na escuridão!

2 comentários:

Gabi disse...

"Cada um estava em um momento"? hahaha... é de rir né guria! Pelamor

Guísela Schmidt disse...

Uauuuuu....muito legal sua escrita...parabénssss.bjs